Ras' ta Parta

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Alô? É a Vera.

Andava eu às compras no supermercado, quando dei conta de um fenómeno intrigante que pode passar despercebido aos mais desatentos.

Falo da proliferação de produtos baseados em Aloe Vera, um verdadeiro fenómeno de marketing.

É impressionante a quantidade de artigos distintos que fazem uso da dita planta. Desde os iogurtes aos detergentes para a roupa, passando pelos produtos de emagrecimento e sabonetes.

Toda esta diversidade despertou-me a curiosidade sobre o aspecto do Aloe. Depois de breve pesquisa na net, lá encontrei uma foto do dito. Tem um aspecto deslavado e pouco excitante. Olhando para ele nunca diria que se trata do Nuno Rogeiro do mundo vegetal.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Mais vale ter graça que ser engraçado.

Os meus pais sempre me disseram, que mais valia ter graça que ser engraçado.

E eu tenho um grande respeito pelo meus pais, que são pessoas honestas, trabalhadoras e sérias.
Por isso, não liguei.

Agora estou a viver na rua a dizer piadolas velhas, repetidas, mais copiadas que as malas "Louis Vuitton".

Ando de semáforo em semáforo a pedir graça. Enterro logo tudo a seguir. Vai toda, não fica nada. galinhas de borracha, almofadas de peidos, em cacas a fingir.

Um gajo começa de uma forma inocente, a dizer umas anedotas. Depois passa a cenas mais sérias, mas ainda numa cena de brincadeira, uma imitações, umas crónicas rascas. Consegue ir a todos os programas da manhã em todos os canais, ser convidado para os "Batanetes", completamente convencido que tem ali amigos para a vida. Passado algum tempo já se começa a rir das piadas do Vitor de Sousa... é aí que começa a espiral.

Não tarda está todo enterrado, com a vida desgraçada, sem uma pinga de graça. A comprar DVD após DVD do Fernando Rocha. A ver o "levanta-te e ri" e tentar copiar as melhores piadas e dizê-las no dia a seguir, rezando para que ninguém se lembre que foi ainda ontem que as ouviram. Batendo no fundo a tentar passar que foi ele que inventou o "Tony Silva" nos anos 80.

Há pessoas que dizem que há recuperação, que nem tudo está perdido, que há quem tenha ido ao fundo e recuperado. Mas eu não acredito, e dou-lhes logo com o exemplo do Joel Branco.

Ser-se parvo

Ser-se parvo. Milhões de pessoas são afectadas em todo o mundo por esta doença, que não conhece sexo nem idade. Ninguém está imune a essa doença demolidora do sentido social e da reputação.

E como se diagnostica essa doença?

"Olhe, isto não é fácil, mas o senhor tem de ser forte, está bem?... Tem parvoíce na família? Os seu pais têm, é isso? Desde que idade? Desde que os conhece... pois."

Phone Call for Mr. Scock

Estava com os meus amigos na passagem de ano. A meio do jantar precisei de ir urinar. Como já ia meio inebriado pelo vinho não tive o cuidado habitual a desenrolar (tu sabes o quê) e PAU!! Parti a sanita!

Os prejuizos foram grandes: uma sanita, daquelas mais caras que não era uma sanita qualquer, e 5 pontos no meu "orgulho", na "lenda", no "portento".

A história espalhou-se rapidamente, sabem como é, uma coisa boa não se consegue esconder muito tempo. Mal tinha acabado de tirar os pontos e estava a receber um telefonema da República Checa a convidarem-me para actuar com as melhores actrizes Europeias da especialidade.

Sei bem que estavam interessadas apenas no meu corpo, mas conseguia viver bem com isso. O importante é que o sucesso internacional não nos suba à cabeça.

O nome artístico foi fácil de escolher dada a nova característica anatómica - "Mr. Scar Cock".

Por acaso até deu jeito porque consegui um contrato para uma série de filmes inspirados no "Caminho das Estrelas", mas em vez de Mr. Spock, era o Mr. SCock.

A prerrogativa da juventude

O que é ser jovem? É ter borbulhas? É ser-se parvo e ter a mania que sabe tudo?

Se saber tudo é próprio dos jovens, porque é tão importante ter experiência de trabalho? É um bocado tapado, não é? Quer dizer... basta contratar um adolescente... e enquanto ainda sabem TUDO!

"Mas que experiência de trabalho é que tem? Ah! É adolescente! E... 2500 Euros por mês parece-lhe bem? Não? E carro?"

Abolachado como uma bolacha.

Repórter: "O Sr. é o camionista que testemunhou o acidente?"

Camionista:"Sou sim senhores, o sr. entrevistador nem imagina as coisas que se passam nessas estradas. Ultrapassagens perigosas, excesso de velocidade, desrespeito à autoridade. Às vezes até nem sou eu."

R: "Mas o acidente envolveu quem, exactamente? Conte-nos como aconteceu."

C:"Ora, eu vinha ali de cima e estava a aproveitar a descida para desengatar o tractor. Assim sempre se poupam uns cobrezitos no gasóleo.

Ora bem, eu vinha de lá de cima, calmamente por a abaixo. Chego aqui à curva, e quando me levanto depois de apanhar a cassete do chão da viatura, vejo que não vou conseguir fazer a curva."

R:"E depois, o que sentiu nesse momento?"

C:"Senti uma pontada que aquilo começava no cu e ia até ao pescoço, porque já vinha a conduzir para cima de há treze horas. Mas não liguei, sabe que isto são as cruzes da profissão. "

R:"E o que fez quando se apercebeu que não iria mesmo conseguir fazer a curva?"

C:"Primeiro pensei: "olha que maçada, acho que vou ter outro acidente hoje", mas depois tive uma ideia que era: "e se eu me atirasse para o sentido contrário?". Assim podia bater mas ao menos não caia pela ribanceira abaixo. E o carro que vinha lá era pequeninito... pensei "que sa lixe o mexilhão".

R:"E depois?"

C:"Depois... morreram as vacas e ficaram os bois!!! HAHAHA... nunca me canso desta piada pá, desde o cinco anos que a uso.

Mas, adiante. Depois o camião "desbarra-se-me" todo, quando soube estava no chão. "

R:"E então?"

C:"E então, tudo bem? HAHAHAHA nunca me canso de dizer isto. Desde os seis anos que uso esta piada pá, é mesmo gira.

Nem me chamava mais Carlos Alberto. Ainda apanhei o gajo, o que é julga? Ficou ali.... Abolachado, como uma bolacha, está a ver?"

R: "Mas isso é horrível!"

C:"Pois é, eu normalmente tento atingi-los logo de frente, tá a perceber? Mas não deu, estas coisas são mesmo assim. Uma pessoa nem sempre consegue."

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Todos... sejam frescos

A vida seria muito mais emocionante se fosse um nunca acabar de encenações de filmes do Tarantino.

Eu acho que uma pessoa consegue passar a vida inteira a dizer somente frases do Tarantino e parecer extremamente "cool". "Everbody, be cool. You! Be Cool... " Ah... paraíso...

Infelizmente, falamos uma língua que transforma tudo o que é "cool" em "fresco":

"Todos, sejam frescos. Tu, sê fresco!"

"Diz "o quê" outra vez! Diz "o quê" outra vez! Eu desafio-te, eu desafio-te duplamente, come-mães! Diz "o quê" mais uma rastaparta vez!"

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Divindade divina

Jornalista: "Diga-me então, Sr. António Campos, há quanto tempo é uma divindade?"

AC: "Bem, estar a dizer que eu sou uma divindade é um bocado exagero. Eu não sou a divindade, a divindade é ele!"

J: "Mas... ele quem?"

AC:" Ele, sendo que ele é realmente, pronto, a entidade que habita em mim. No meu espírito. No meu espírito, pronto, que acabe por isso assim sendo, o dele."

J:"O espírito?"

AC: "Pronto, o corpo não é? Eu habito um local no meu corpo que acaba por ser, em espírito uma coisa que não é minha, que é dele".

J:"Acho que os telespectadores estão um pouco confusos com a sua explicação. A pergunta que os Portugueses querem ver respondida é: como se sente?"

AC:"Sinto-me bem, pronto, é assim. Não sei bem como é que ele se sente comigo, mas eu sinto-me bem com ele. Pronto, a gente não escolhe estas coisas não é? Mas sinto que de alguma forma, estou, pronto a cumprir com a minha parte, não é? Pois, acho que sim."

J:"Mas diga-me uma coisa, se o Sr. não é a divindade, porque o seguem tantas pessoas?"

AC:"Seguem-me? Mas... eu julguei que estas pessoas que estavam atrás de mim vinham para apanhar o 38. Eles não vêm atrás de mim, eu é que vou à frente deles. E vou apanhar um granda lugar, lá atrás que é como eu gosto. Não gosto muito de ir à frente por causa das velhas que se põem ao pé dum gajo a gritar "Ah! Isto já não há homens como antigamente, é um escândalo que um jovem não se levante para dar lugar aos mais idosos", quer dizer, como se um gajo não tivesse ali não é? E o cheiro? Bem... "

J:"Pois... e que poderes tem o senhor, como divindade?"

AC: "Pronto, isto é assim, que eu saiba, poder, poder, não tenho poder nenhum, quem tem é, portanto, o dito "ser", vamos pôr as coisas assim, que habita no meu, que é dele, pronto, corpo não é?"

J: "Ò senhor António Campos, esta deve ser a entrevista mais inútil que já fiz em toda a minha vida. O que é quer que eu faça com isto?"

AC:"Isto é assim, portanto, vamos a ver, você é que veio aqui armado em jornalista de não sei quê a fazer perguntas. Agora não gosta das respostas? Pronto, que é que quer que eu faça? Pois isto é mesmo assim, eu não... eu não pedi para ser uma divindade. Isto não se escolhe, ela é que nos escolhe a nós. Ou acha que os três pastoreszinhos escolheram levar nos cornos forte e feio porque a Maria lhes apareceu e ninguém acreditou nos gajos? Pois...é q'isto é mesmo assim, que as pessoas julgam que é só ser uma divindade e dar entrevistas, mas não é tudo que dizem ... não é. Ninguém apoia as divindades, o estado, não é? Que é quem, de direito, devia tratar da gente, não faz nada. E depois um gajo é divindade e entrevistas e o caraças, mas está aqui a rapar frio a apanhar a porcaria do autocarro com esta gente que às oito da manhã, têm um cheiro que parece um bode, que nunca na vida viu pinga de água que um gajo até cai para o lado, parece que já nem cheiram a suor, é à acetona!"

terça-feira, janeiro 18, 2005

O que as mulherem não querem...

As mulheres vivem actualmente na ilusão de que evoluíram muito nos últimos anos. Dantes, estavam em casa todo o dia, tinham todo o tempo do mundo para fazer as coisas que agora, supostamente que estão "muito à frente", se queixam precisamente de não ter tempo para fazer:

- lida da casa;

- educar (agora já não se chama tratar) as crianças;

- ter tempo para a sua evolução pessoal e manutenção da aparência.

Ainda por cima, acham que evoluíram bastante. Eu acho que as mulheres sempre foram mais inteligentes que os homens, no entanto acho que têm vindo a regredir.

Por mim, trocava já a $"#% do fato mais o $E$E"#$ da gravata pelas pantufas e por uma bata, o portátil por um aspirador. Ficava em casa, aplicava as 30 metodologias diferentes de ser mais produtivo que fui apanhando pelo caminho e depois de limpar a casa e mandar os putos para a escola em 37.23 minutos, ia ao cabeleireiro e ao ginásio.

Quando ela chegasse a casa, dizia :"Não foste promovida? Como é que vamos pôr os míudos no Colégio Inglês com esse ordenado?"

Seguido de:

"E não entres em casa com esses saltos que me marcas o soalho."

Se ela se enervasse, ainda ia pensar se cumpria com os meus deveres matrimoniais ou se inventava uma "dor de cabeça" no masculino ("Sabes como o pó me deixa os adenóides filha, tem paciência mas hoje não dá!")

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Dois amigos encontram-se num futuro longíquo

Amigo 1: "Saudações, paz e prosperidade"

Amigo 2: "Saudações, paz e prosperidade"

Amigo 1: "Sintonizaste-te mentalmente comigo ontem?"

Amigo 2: "Em que momento do contínuo espaço-temporal?"

Amigo 1: "Em vizinhança das 15.573 horas deste eon."

Amigo 2: "Afirmativo, deparei-me com uma alteração dinâmica do equilíbrio magnético da energia suprema e depois recordei as imortais palavras de Santana Lopes."

Amigo 1: "Também tu, Paulo Portas?"

Amigo 2: "Não, "Eh pá! Esqueci-me de ir a Xabregas levantar uma cena"! "

Amigo 1: "Nosso imortal representante da energia suprema! É uma impossibilidade!"

Amigo 2: "Estou certo de ter acontecido num dos universos em que me navego!"

Amigo 1: "Como procedeste? Deves ter ficado imerso em dúvida Iónica de esclarecimento transcendental?"

Amigo 2: "Não, fui pela Rua Gualdim Pais. Mas foi por pouco que escapei."

Amigo 1: "Ao vortex do escapismo transcendental?"

Amigo 2: "Não, a um acidente na A1!"

Amigo 1: "Observa a tua reincidência em Português Arcaico. Bem reconheces que não domino a técnica histórica."

Amigo 2: "Curte bué man. Estás numa fine!"

Amigo 1: "Eu tento compreender o teu ponto de vista, mas é-me difícil transcender a comunição ordenada e metafísica de Elrandiro."

Amigo 2: "Props brother"