Nunca me deixa de surpreender o tempo que as mulheres demoram a arranjar-se.
Uma coisa em particular tem-me iludido: o conceito de "pronta".
Quando pergunto à minha mulher se está pronta, obtenho invariavelmente a mesma resposta:
"Sim, só me falta os sapatos e o cabelo".
Se parasse de mos esconder eu podia calçar-me sozinho. Ainda bem que a festa era na nossa casa, de outra forma não sei como seria. Ela podia ao menos pousar a revista de vez em quando e desocupar a casa de banho.
"Só falta" é outro conceito que me escapa, as mulheres demoram imenso tempo a calçar-se e a arranjar o cabelo. São as duas actividades que ocupam mais tempo a qualquer mulher. E já estou a incluir "tomar decisões sobre roupa".
Eu compreendo que para os homens é tudo mais simples. Sapatos, só temos duas escolhas possíveis: preto ou castanho. O conforto não é uma variável porque todos os sapatos de homem comprados por homens são confortáveis. É uma lei da física.
Já as mulheres visualizam os sapatos em três dimensões: comprimento, altura e se são ou não lindos. Já o conforto não tem nada a ver, porque nenhuma mulher sacrifica a beleza do sapato por uma coisa tão insignificante como o conforto:
M:"Gostas dos meus sapatos novos?" (Uh oh)
H:"Gosto bastante... mas... isso é arame farpado que têm, em vez de presilhas?"
M:"É! Não achas que os riscos de sangue ficam a matar com o meu vestido novo?"
Nada na escolha dos sapatos é trivial. Os sapatos têm de combinar com a mala, mas não chocar com o padrão ou esquema de cores do vestido. Um sapato pode ser eliminado da escolha porque não têm um cinto que seja da mesma cor dos sapatos e simultaneamente da mala. Uma mulher pode ir nua a um casamento, não pode é ir descalça.
Depois da aplicação de todos estes critérios, restam apenas as hipóteses óbvias que se reduzem a 27 pares de sapatos, 12 dos quais são pretos.
Meia-hora depois, materializam-se uns sapatos que não eram os sapatos que ela queria levar. Os que foram comprados especialmente para o evento não servem, porque não havia cinto que combinasse. Tudo isto fruto de uma cabala internacional envolvendo a "Mango" e a "Zara" para lhe retirar a possibilidade de usar os sapatos perfeitos ao preço perfeito.
Os homens também têm imensas vantagens nos cabelos. Usamos o mesmo cabelo desde os dez anos de idade. Para nós, "penteado" é como o cabelo fica depois de seco... ao ar.
Para as mulheres, o cabelo é a última barreira à saída. O cabelo nunca colabora. Há sempre qualquer coisa de errado com o cabelo. Não friza, não encaracola, não estica, a franja não está bem, as raízes estão a aparecer, está quebradiço, as pontas estão espigadas, está desidratado, precisa do "corte", o secador não tem temperatura suficiente...
Claro que deixar que profissionais tratem do cabelo é a outra opção. É perfeitamente aceitável chegarmos ao almoço de família um pouco tarde. Tipo: quatro da tarde.
Se ao menos pudéssemos deixar o cabelo, como na lavandaria:
"Venho buscá-lo às 11 amanhã, pode ser?"
"Ai filha, tenha paciência que estamos cheios de trabalho. Só lá mais para o fim da tarde"
Ir ao cabeleireiro está completamente fora de questão. O tempo que demora a uma mulher ir ao cabeleireiro, é o tempo médio de viagem para o Algarve. Ida e volta.
Mesmo que o cabeleireiro faça o favor de abrir um pouco mais cedo, às cinco da manhã, só lhes sobra uma hora para se calçarem, não é o suficiente.
Mas o que me põe completamente doido é a "lista".
Se perguntamos se está afinal, pronta ou não, tem sempre um item de uma lista de actividades que têm de ser cumpridas antes de sairmos (homens) de casa: tirar o lixo, limpar o sujo dos animais, trocar todas as lâmpadas do corredor.
"Afinal, como é, estás pronta ou quê?"
"Já foste buscar o lixo? Pois! É só sair, não é?"
No outro dia disse-me, antes de irmos para um baptizado, que eu tinha de preencher o IRS.