Alguns de nós lembram-se dos tempo dourados das telecomunicações móveis, em que cada telefone tinha a enorme quantidade de seis ou sete toques por onde escolher, sendo que todos eram muito maus. Ah!.... Paraíso...
Agora as possibilidades de incomodarem vizinhos, colegas de trabalho e demais transeuntes é praticamente ilimitada, dada a quantidade absurda de toques que existem.
Mas é curioso que algumas coisas continuam enraizadas. No princípio, toda a gente tinha toques "normais", ou seja, toques repetitivos e que não tinha melodia praticamente nenhuma. Só quem tinha toques "musicais" eram os pirosos.
Depois apareceram algumas melodias com um som melhor e a coisa foi alastrando. Finalmente apareceram os toques polifónicos, que além da melodia também permitem harmonias de vários instrumentos. Mas o desenvolvimento terá sido demasiado rápido para que os costumes os acompanhem.
Isto originou um novo fenómeno no universo da telefonia móvel: o indivíduo que tem vergonha do seu próprio toque.
Estes indivíduos são precisamente os que acusavam de pirosice os que tinham os toques melódicos com grandes exitos musicais como o, "The eye of the tiger", "Malhão malhão" ou "Os Lusíadas - o musical" em todo o esplendor de sete notas (nem sustenidos tinha, só davam músicas na escala de Dó Maior).
Agora, estão num dilema. Por um lado, querem mostrar a toda a gente como o modelo de telefone de última geração 4G1/2 tem mais sons que o último modelo de sintetizador; por outro não querem que os apanhem com uma música no telemóvel. Julgam que ainda há pessoas que se lembram que eles há tempos (tipo o mês passado) ainda gozavam com pessoas que tinham músicas no telefone.
Uma situação recorrente é vê-los em sítios públicos a fingirem que o telefone que está a tocar o "Hino do Sporting" não é o deles, mesmo quando está o cinema inteiro a olhar na sua direcção.
Ou então é vê-lo a correr desenfreadamente pelo escritório, a atirarem-se em vôo para o telefone para o silenciar, precisamente no terceiro acorde do "Deixa-me cheirar o teu bacalhau" do Quim Barreiro. Música que puseram "por graça", claro está! ...