Ras' ta Parta

quinta-feira, novembro 24, 2005

Vocação divina

- Benedito, não sei como te dizer isto, mas vamos ter que te expulsar do seminário.

- Mas porquê, padre Tomás?

- Vai sair um decreto a proibir os homossexuais de exercerem o sacerdócio. Não posso continuar a encobrir a tua conduta seviciosa.

- Mas eu sempre fui dedicado a Deus e à igreja. Vós sabeis o quanto eu me tenho empenhado para trazer as pessoas até Cristo.

- Eu sei meu petiz, mas são as novas regras. Emanadas directamente pela Santa Sé.

- Mas vós sempre me tendes acompanhado e incentivado a seguir o caminho do Senhor. Não me podeis ajudar?

- Aproveita as férias que agora começam para tirares um curso no "Instituto de Salvação dos Homens". Se o Prof. Zezé Camarinha te aprovar, podes continuar na comunidade presidida pelo cardeal Ratzinger.

- Santinho, Sr. Padre.

Comandos...

Os três gritos de guerra dos comandos - "Mama Sume, Mama Sume, Mama Sume" - marcaram o fim da breve e contida cerimónia fúnebre que assinalou, em Lisboa, o regresso a casa do sargento João Paulo Roma Pereira.

Os comandos foram-se depois embora, desiludidos com a não comparência do Sume.

Vaticano...

Foi ontem aprovado pelo Vaticano, um documento - a publicar dentro de seis dias pelo "Osservatore Romano" -, segundo o qual é excluído dos seminários e do sacerdócio quem praticar a homossexualidade ou apresentar tendências homossexuais profundas.

Daqui se conclui, que pedofilia, tudo bem, desde que com pessoas de outro sexo.

Apertados...

Viajei de avião, na última vez, com um gordo de 2m ao lado. Não tenho nada contra pessoas gordas. Nada mesmo contra pessoas gordas...

Não tenho nada contra pessoas gordas, no chão!

É que são tantos os mecanismos de controle, tantas as verificações de segurança, não custava nada. Além de revistarem as pessoas, verificavam as etiquetas da roupa interior. Se tivesse mais de dois XX, não permitiam o embarque.

Imagino como seria bom que nos aeroportos, em vez de uma manga, terem uma peneira. Era melhor para todos e não afectaria assim tanto as companhias aéreas, afinal, os japoneses continuariam a conseguir viajar.

É mesmo um dos piores momentos do viajante do ar. Uma pessoa senta-se, prepara-se mentalmente para a possibilidade de morrer de uma forma violenta no meio de gritos, explosões e cheiro a carne queimada, e de repente vê o equivalente humano a um autocarro de dois andares a violentar a coxia. É a mesma sensação de terror que se sente, estando num autocarro em Jerusalém e de repente ver o Ariel Sharon a entrar.

Assim que se sentam, parece que há uma alteração das propriedades físicas. Tal como num sonho Einsteiniano, e porque têm uma massa equivalente a um pequeno planeta, o espaço em volta deles deforma-se, nem o tempo escapa. As coisas já não caem para o chão, caem para o lado.

Depois sentam-se, e põem logo o ventilador no máximo. Devem sentir pena de em vez da luz de leitura, não terem um botão no ventilador a dizer "turbo boost". Sentem tanto calor que não se coibem de pedir os ventiladores das pessoas que estão ao lado.

- "Importa-se que use também o seu ventilador?"

(Hey, porque não?? Assim como assim, já estás a usar metade do meu lugar!!)

- "Claro que não, por favor..."

Pessoalmente, as partes que acho mais emocionantes são as idas à casa de banho. Passar para a coxia envolve o mesmo nível de manobras que fazer passar um navio de 200 toneladas pelo canal do Panamá.

Nem tudo é mau, no entanto. Quando acabam os cobertores, podemos sempre pedir ao nosso companheiro de avião que nos empreste a sua camisola de lã. Tudo bem, está mais encharcada que um pântano Africano na época das chuvas, mas ao contrário dos cobertores dos aviões, ao menos dá para tapar bem dos pés ao pescoço.

sexta-feira, novembro 18, 2005

Aranhiços...

Apercebi-me hoje que os aranhiços são os gays do mundo dos aracnídeos.

Fazem parte de um grupo incompreendido, são magríssimos e cada vez que vêm algo que se coma dão pulinhos.

quinta-feira, novembro 17, 2005

WC...

A casa de banho dos aviões é a coisa mais funcional que existe.

Naquele espaço pequenino, têm tudo o que precisamos numa casa de banho caseira: rolos de papel higiénico, toalhetes e bombas de sucção industriais.

Gosto da parte em que o autoclismo abre um alçapão e suga tudo o que está à superfície para dentro com a força de um furacão. É o equivalente da cadeira eléctrica para as fezes.

Têm também umas pegas pequeninas, para quando estamos a fazer muita força. Fazemos sempre mais força no avião, para isso é que servem as pegas. Deve ser da pressão que empurra tudo para cima, em direcção ao estômago. Isso explicaria porque é que a comida no avião nunca cai bem.

Quase que podemos fingir que é o nosso quarto de hotel, dentro do avião. São tão populares, que uma casa de banho de avião tem mais movimento durante o voo que um time-share em Albufeira no verão. Estão sempre pessoas a aparecer à porta a pedir para sairmos.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Um ano...

Foi há um ano atrás que comecei o Rastaparta.

Parece que foi ontem que lutava com ecrã vazio, a tentar escolher um nome que fosse simultaneamente curto e que levantasse uma pontinha do que tentaria fazer.

Lembro-me também de ter prometido que só o divulgaria quando sentisse que não iria fazer perder tempo às pessoas, quando estivesse convencido que o conteúdo era verdadeiramente engraçado.

Viva a ignorância, porque se soubesse o que sei hoje, ainda não o teria divulgado.

Acredito que toda a aprendizagem é um movimento circular, vamos recolhendo conhecimento até que chegamos ao mesmo sítio de onde partimos. Estamos no mesmo sítio, mas já nada é como dantes. Julgamos que o mundo mudou, quando na realidade fomos nós que mudámos e o mundo já não é, para nós, a mesma coisa.

Isto aplica-se directamente ao Rastaparta e à minha aprendizagem sobre comédia. Percorri um longo caminho, estou hoje no mesmo sítio onde comecei, mas já nada me parece o mesmo.

Muitas piadas depois, consegui uma coisa que achei que era tão impossível como desejada: pus alguém a rir. Pelo menos uma pessoa foi tocada pelo que escrevi, pelo menos uma gargalhada foi tentada, um sorriso foi esboçado.

A marca não é grande, mas para mim, está lá. Para sempre selada no tempo do que já foi.

Para o futuro, não desejo mais que continuar a aprender. No dia em que achar que não sou melhor do que era ontem, paro. Por isso, o Rastaparta continua.

De certo modo, o Rastaparta já não é meu, já é mais do que o conjunto das suas piadas, é nosso. De todos os que já leram e de todos os que ainda o lerão.

Obrigado a todos os participantes deste blog, obrigado por terem aturado piadas mais fraquinhas ou menos boas. Obrigado até por dizerem mal.

Quero dedicar um especial agradecimento ao Gafas. Muita gente não sabe, mas o resultado final das piadas que vemos aqui tem muitas vezes dedo dele. É quem me aponta as falhas e quem, assim, me ensina.

Muito obrigado,

Mr. Cross

Incómodo...

Há um incómodo no mundo, vindo dos EUA, que espalha a miséria por milhões de pessoas em todo o mundo e que não é o George W. Bush: os voos com escalas.

Aparentemente, as regras da economia não se aplicam às linhas áreas. Os voos de ligação nunca são pelo sítio mais curto entre dois pontos.

"Quer ir para Madrid, tenho aqui um voo fantástico por 180 Euros, mas tem uma escala em Singapura."
"E directo?"
"Tenho aqui um por 38.000 Euros, em turística."

quarta-feira, novembro 09, 2005

Bagagem...

Imagino, com antecipação, um dia em que não seja necessário levar bagagem para lado nenhum.

Vendo as coisas com clareza, tirando a vantagem óbvia de termos a roupa no sítio para onde vamos, a bagagem é um atentado ao viajante. Nada na bagagem está feito para nos facilitar a vida.

Começa logo quando estamos a fazer a mala. Se viajamos acompanhados por um elemento do sexo feminino, temos um problema óbvio e imediato, que é:

- A lista de coisas que querem levar na viagem não é compatível com a volumetria de nenhum fabricante de malas do mundo ocidental. Digo o mundo ocidental porque na China já resolveram o problema: apenas os maridos viajam.

Estes problemas tornam-se aparentes imeadiatamente quando para um fim de semana em Óbidos, o marido leva uma mochila enquanto a mulher para levar mais "umas coisitas que precisa", telefona à empresa de mudanças. Quer saber quanto dinheiro custa levar uns sofás.

Outra questão frequente é os esquecimentos. Há pessoas que fazem listas para não se esquecerem. Mas o problema é que é exactamente o que precisamos de levar que não está na lista. Porque se soubéssemos o que era, estaria na lista.

O maior problema da bagagem é que se extravia, derrotando assim o propósito de a carregar. A bagagem é um pouco como as crianças de três anos. Se as largamos por trinta segundos nas mãos de outras pessoas, perdem-se.

Mesmo com todos estes problemas, conseguimos levar na bagagem coisas que depois nunca usamos, por mais vezes que as transportemos pelo mundo.

Imagino algumas das minhas camisas, no armário, a dizerem às outras peças de roupa:

"Da última vez, consegui ver o quarto."

terça-feira, novembro 08, 2005

Motins...

Toda a gente está muito preocupada com os motins, mas apenas fora de França. Aqui não está a acontecer nada.

Estou aqui há três semanas e a única coisa que vi foi dois franceses à tacada com baguettes e uma velha de 80 anos a ser presa por prostituição.

Pessoalmente, acho que os motins estão a ser mal aproveitados. Por exemplo, podiam aproveitar o trabalho daqueles pobres imigrantes, os incendiários, para queimarem coisas que não precisam. Carros mais velhos podiam ser deixados nas ruas, colocados estrategicamente, para serem incendiados.

Outras coisas poderiam ser queimadas: roupas velhas, papeis, corpos de manifestantes mortos por eletrocução.

Outro aproveitamento que podia ter era para o turismo. Acho que o turismo do terrorismo é toda uma industria prestes a despontar.

Podiam fazer-se excursões:

Iraque:
"Seja raptado por um bando de rebeldes Iraquianos e delicie-se com a discussão sobre quem decapita os reféns, decidido à melhor de três no jogo da macaca."

Palestina:
"Veja a faixa de Gaza de uma forma nunca vista antes. Visite as fábricas de bombas artesanais e assista à retaliação dos Israelitas, observando as únicas, fantásticas e mundialmente famosas explosões dos mísseis Hellfire."

Paris:
"Além das luzes, agora Paris é também a cidade do fogo. Participe numa excursão aos bairros degradados. Atire pedras à polícia, incendeie carros e seja preso pela famosa Gendarmerie. Para grupos de 10 e mais pessoas, estão já incluídas no preço as muito procuradas eletrocuções."

quinta-feira, novembro 03, 2005

Mulheres francesas

Ao contrário do que a generalidade das pessoas pensa, as mulheres francesas cheiram bem.

Deve haver qualquer coisa na forma como os pelos do sovaco espalham o cheiro do desodorizante.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Alemães...

Normalmente gosto das hospedeiras. Além de serem simpáticas e bonitas, estão sempre a tentar ir um pouco mais além no serviço dos clientes. Todas as hospedeiras são assim, excepto as hospedeiras alemãs.

Tudo começa na forma como nos saúdam aos gritos quando entramos no avião, ao mesmo tempo que esbracejam violentamente:

"GUTTEN TAG, IT'S NIZE TO ZEE YOU!! ZIT DOWN IMMEDIATELY!! ZANK YOU!! LET ME SHOW ZYOU TO YOURR ZEAT!!"

Depois de sentarem os passageiros, fazem a apresentação de segurança de uma forma que nos faz pensar: "Que bom seria termos um acidente, ao menos podia sair daqui. Mesmo que fosse numa bola de fogo..."

Quando servem a comida, parece que nunca escolhemos a opção correcta.

- "Que deseja?"
- "Cola."
- "Pfft, Cola... aba das ist not gut. Dieze abnormal eingenfragunshulgezen!"

Sempre com uma cara que não deixa margem para dúvida:

- "Essen? Comida?"
- "Ah, comida! Quais são as opções?"
- "Das ist abflug essen, comida de avião, as opções são "Ya" ou "Nein".

Nos voos com hospedeiras alemãs nunca niguém discute com elas que não gosta da comida. Já vi pessoas cobertas de borbulhas em pleno choque anafilático a jurarem a pés juntos à hospedeira que estavam a gostar muito da sandes de caranguejo e que por favor não os levassem.

Tratam-nos bem... Esboçam um sorriso, mas depois, quando se abaixam para tirar o tabuleiro, ficam com aquele ar "mais uns que devíamos ter gaseado."

Máscaras...

Nos voos estão sempre a tentar passar a ideia de que é importante no caso de qualquer emergência, puxarmos as máscaras de oxigénio.

Claro, estou numa bola de fogo, a despenhar-se a 800 Km/h no Antlântico. Preciso de uma máscara de oxigénio:

- Para conseguir respirar debaixo d'água!

"Desculpe, hospedeira, acerca da máscara... tenho uma dúvida."
"É fácil! Tem de puxar a máscara para não ficar sem ar! É para proteger os pulmões."
"Não tem antes qualquer coisa para me proteger a mim?"

Mesas...

Descobri um truque fantástico no outro dia. Usar as mesas das cadeiras reclináveis para dormir. É fantástico, porque podemos colocar o casaco sobre a cabeça e fingir que estamos no nosso quarto, a dormir. Só que a posição em que ficamos mais parece que estamos no quarto mas a receber um clister.

Depois acordamos com o cheiro a comida ou com os aplausos da aterragem, e ficamos sempre com a sensação de que estávamos a ter um comportamente totalmente repreensível, pela forma como nos olham.

Ou então, as pessoas acham que é um concurso, que quem adormecer já não ganha.

"Olha... este já está fora."

Hospedeiras...

As hospedeiras são uns profissionais fantásticos. Têm boa aparência, sabem várias línguas e têm uma capacidade de lidar com situações complicadas de uma forma limpa e profissional. Têm de estudar imenso e ter uma postura irrepreensível.

Quem diria que era preciso ter tantas qualidades para servir às mesas.